Querido indivíduo (que está lendo este material), como você — provavelmente — notou, isto é uma crônica. O formato garante-me duas coisas: a primeira, é que eu posso escrever de forma mais livre; e a segunda, é que a escrita livre não está desprovida de um caráter informacional. E, terceiro, muito importante, neste formato, eu não estou lhe prometendo um texto informativo nos moldes tradicionais, ou seja, qualquer expectativa sua, é simplesmente sua (sim, eu falei de duas garantias, não obstante, são três — risos indiscretos).
Não partilho da ideia de abrir a minha vida pessoal, de maneira crua para outros indivíduos, contudo, creio que este texto não esteja cru, e que a minha escrita conscientemente inconsciente, apresentará premissas simples e complexas, que vão além do “foi algo ocorrido em minha vida pessoal”.
15 de outubro de 2025, após enviar uma carta-relatório ao professor Tony, com as minhas leituras sobre o trabalho que vinha sendo, e está sendo desenvolvido com minha irmã (que é autista, suporte nível 3), ele respondeu com elogios ao meu texto, com felicidade em relação aos progressos observados em sua aluna, e presenteou o meu intelecto com um termo que até então eu desconhecia: ESTIMULAÇÃO AQUÁTICA.
Fiquei fascinado (e o professor sabe disso, porque expressei meu fascínio a ele, e tenho certeza que meus olhos brilhavam enquanto eu falava — risos indiscretos). Até então, eu conhecia o nome “natação adaptada”, ou o “esporte adaptado”, e, depois, enquanto escrevia a carta, eu conheci o termo “hidroterapia”… Não obstante, o termo que distintos mundos, do meu universo psíquico, concordaram que era o mais adequado, foi ESTIMULAÇÃO AQUÁTICA.
Lembro que até expliquei isso ao Professor Tony (um atrevimento de minha parte, considerando que foi ele quem me apresentou ao termo), sobre como a “natação adaptada” ainda presume, basicamente, tendo por referência as palavras utilizadas e seus significados, o aprendizado dos 4 estilos de nado — Crawl, Costas, Peito, e Borboleta. No referente à “hidroterapia”, o básico: realizada por um fisioterapeuta, e presume outras questões, equipamentos, e não necessariamente, o aprendizado dos nados, ou de aspectos ligados a eles — é outro universo.
Em seguida, aterrisso na Estimulação Aquática. Como o próprio termo sugere, ela consiste na utilização do ambiente aquático como um espaço para a proposição de estímulos, que visem possibilitar aprendizados, ou a condução da construção de aprendizados, em um respectivo indivíduo — no caso do professor Tony, este trabalho é realizado, sobretudo, em pessoas com deficiências.
E aqui, chego no momento em que necessito falar de indivíduos autistas, com destaque, para aqueles que apresentam um maior grau de comprometimentos nas habilidades cognitivas. Porque existem fórmulas, e existe a complexidade de cada indivíduo, portanto, a fórmula pode ser eficaz para um, pode necessitar de adaptações para outro, e pode nem funcionar em um terceiro. Por isso, a minha questão com o termo “natação adaptada” — porque aqui há uma promessa, e, na maior parte das vezes (não digo 100%, para não ser totalitário, errôneo, ou pessimista — risos indiscretos), as promessas não são cumpridas.
Na Estimulação Aquática, não há uma promessa, há uma premissa: vamos utilizar este espaço para que o indivíduo obtenha aprendizados, ou seja conduzido a obtê-los. E, como o próprio professor Tony sempre explica, os conhecimentos obtidos, naquele ambiente, servirão para distintos locais — a melhora na marcha (o andar), aspectos ligados à coordenação motora fina (o pegar com as mãos), estímulos para o desenvolvimento da linguagem verbal do indivíduo, e outros estímulos que visam a independência, a autonomia.
Obviamente, neste processo, de estimulações na água, o aprendizado dos nados pode ser obtido — não é uma possibilidade descartada. Não obstante, eu percebo que, na Estimulação Aquática, você comemora os aprendizados que o indivíduo vai obtendo… Ao invés de celebrar somente quando está realizando X ou Y.
Por gentileza, não estou desmerecendo o termo “natação adaptada”. Estou apresentando o quanto a “Estimulação Aquática” contempla a complexidade das camadas.
E, com toda certeza, necessito agradecer ao professor Tony (por me apresentar este termo, que fica viajando entre os mundos da minha psiquê), e enaltecer o brilhantismo de seu trabalho. Enquanto muitos não veem potencial, ele é como uma chama polindo, lapidando, um diamante que ele foi capaz de enxergar antes de todas as outras pessoas. E, ele possui alteridade, ou seja, ele consegue sentir as necessidades de um respectivo aluno para aquele momento, aquilo que ele pode ou não fazer, os limites de um instante… Sempre desenvolvendo estratégias, e dialogando, para que os caminhos não sejam bloqueados… É fantástico.
Aqui, creio que seja — suficientemente — bom para encerrar. O inconsciente e o consciente, toda a minha estrutura psíquica está de acordo. Portanto, despeço-me aqui de você que leu este escrito. Não espero que goste, espero que reflita, sobre a “Estimulação Aquática”… Eu que tenho que gostar; e eu ADOREI (risos indiscretos).