No começo do século XX nascia, através de vanguardas européias, um movimento que desprezava as representações convencionais, e que utilizava de formas geométricas ou marcas gestuais em sua expressão. Este foi, e é, o abstracionismo, uma das expressões artísticas da Arte Moderna.
No Brasil, a arte abstrata só aterrissou na década de 40, e ganhou força na década de 50, após a 1ª Bienal de São Paulo (1951). Alguns nomes dessa tendência artística no país são: Antônio Bandeira, Lygia Clark, Ivan Serpa, Waldemar Cordeiro, e Hélio Oiticica.
Engana-se quem pensa que a força do abstracionismo no Brasil desapareceu junto desses nomes, ela está viva através dos corações mais jovens, dentre eles, o de Nelson Maia, artista plástico maranhense que começou a desenhar aos 5 anos de idade. No dia 25 de Agosto (2024) conversei com o Nelson sobre isso, e a resposta dele foi a seguinte:
“Eu comecei a desenhar aos 5 anos de idade observando os desenhos que eu assistia, e que tinha como referência na época, e isso foi o ponto de partida para desenvolver o meu dom artístico. Aos 08 anos eu fui premiado em um concurso de desenho pelo SENAI, quero ressaltar também o apoio e o incentivo dos meus pais que sempre estiveram ao meu lado durante toda a minha carreira. A mudança para a arte abstrata foi algo que despertou em mim, e hoje eu transformo o nosso folclore maranhense em formas abstratas.”

Com quase 26 anos de carreira, Nelson Maia, como um excelente artista, ainda está motivado em produzir e expressar a cultura maranhense através de suas pinceladas abstratas. Por isso, no último dia 19, inaugurou a exposição “Mistérios, formas e cores sobre tela”, composta de 18 quadros, onde são expressos, principalmente, o Cacuriá, Tambor de Crioula e Bumba-Meu-Boi.

A exposição também possui uma face de protesto, e essa percepção vem através das seguintes telas: Amazônia Queimada e Folhas Queimadas. Durante minha conversa com o artista plástico em questão, expus um questionamento acerca destas obras, que obteve a seguinte resposta:
“Essas obras possuem um tom de protesto no intuito de destacar os problemas que a nossa fauna e flora brasileira vem sofrendo ao longo dos anos, causando impacto no nosso cotidiano. Eu quis expressar os meus sentimentos nessas telas com as cores que representam a nossa natureza, que pede socorro. E eu achei importante colocá-las em exposição para que o público possa interpretá-las à sua maneira, com um olhar mais humano.”
As obras com um tom de protesto, assim como as outras desta exposição, foram produzidas com o uso de pincel e espátula, com a técnica do óleo sobre tela. Além disso, Amazônia Queimada e Folhas Queimadas, do mesmo modo de outras do acervo, foram pintadas neste ano (2024); destaco esta informação porque Eclipse Solar, Vitrais, e Movimentos Circulares foram construídas em 2021.
Também perguntei para o Nelson Maia sobre quando teremos uma nova exposição, e ele falou que já há uma marcada na agenda, que será nas terras da capital federal:
“Sim, teremos. Fui convidado para expor em Brasília no mês de junho. Serão ao todo 20 telas que irão ser expostas na galeria da Câmara dos Deputados em Brasília, DF. Vou trabalhar a temática da nossa cultura popular maranhense nas telas, mesclando as cores e as formas que nos representam.”
Vale recordar que foi aos 18 anos que Nelson Maia bateu o martelo, e entregou-se, de forma definitiva, ao universo artístico. À época, a decisão manifestou-se através da pintura no coreto da avenida Beira-Mar, em São Luís (MA – Brasil). No ano de 2000 veio a primeira exposição, no centro da capital maranhense, no Palacete Gentil Braga.

Sobre a mostra “Mistérios, formas e cores sobre tela”, ela fica em cartaz até o dia 30 de setembro (2024), no Espaço de artes Ilzé Cordeiro, no Centro Cultural do Ministério Público, localizado na rua Oswaldo Cruz, no Centro de São Luís (MA – Brasil). A entrada é gratuita, e o espaço está disponível para visita de segunda à sexta, das 8h às 15h.
Algumas obras encontram-se à venda, e para mais informações, ou para acompanhar o trabalho do artista, segue o Instagram: @nelsoncarlosjr .
