avistei um cara, e fiquei assustado
estava atolado de notícias falsas até no rabo
perguntei ao “bonito”: tu gostas de ser otário?
ele disse que o otário era eu
coitado
não sabe que até os paus que entram no meu rabo
são minuciosamente selecionados.
havia nele um prazer macabro
em desinformar, e ser um desinformado
não se trata dos posicionamentos
trata-se da veracidade dos fatos
não havia; nem mesmo a expectativa
uma mistura de estupidez e ignorância
um prazer perverso
colocar notícias falsas nos rabos alheios
e no próprio.
sua paixão: desinformar, e ser desinformado
não me contive, e chamei-o de otário
alguém na multidão falou que eu deveria pedir desculpas
e desejei uma coisa ótima, pois sou bondoso
mandei enfiar a ausência de desculpas no rabo
melhor que enfiar o chorume da desinformação
escolha deles, que não é a melhor opção.
alguém na multidão chamou-me de grosseiro
óbvio que não neguei
confirmei, e ressaltei o meu espírito recíproco
quem compartilha desinformações
não anseia nem merece gentileza
a averiguação é necessária
e não é uma ferramenta desconhecida.
o otário sabia o que estava fazendo
otário e inescrupuloso
até Lúcifer tem receios
de colocá-lo em uma das prisões do inferno.
não importa o nível da catástrofe
o otário não nos poupa de sua estupidez
se alguém esfrega os fatos em seu nariz imundo
ele diz que o outro é que está com as fakes.
e o otário inescrupuloso se diz “cristão”
porém, compartilha fakes até sobre Cristo
vota errado, e tem orgulho
já queimou até pneus para um “mito”
não respeita outras expressões de fé
e quando é contra-atacado
o otário inescrupuloso compartilha uma fake
e diz que foi vítima de algo.
o otário e suas fakes
‘o otário e suas fakes’ é uma poesia de Victor dos Anjos.
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