nas muitas faces do protestantismo
nas palavras proferidas no altar
versículos ensaiados, interpretações distorcidas
sermões para tentar constranger-lhe
de tanto opinar nas vidas alheias
incapazes de ajustar, minimamente, as próprias vidas.
caminhando pelos corredores dos hospitais que tratam câncer
com suas bíblias nas mãos, e uma aura supostamente “imaculada”
não vão aos locais para transmitirem “forças”, como aparentam
a proposta é tentar espalhar o terror em quem não é da “crentaiada”
“porque as almas que não aceitam ao Senhor, ao inferno, já estão condenadas”
olham os pacientes com câncer, e pensam que a morte já foi chancelada
a proposta é espalhar o medo, converter pelo desespero.
interessante como aquelas mentes acham
que todos nos seus
templos de hipocrisia e incoerência
estão salvos… estão salvos?
sutilmente soltam pragas
amaldiçoam você com um sorriso no rosto
veneno sutil, e se vier uma resposta ácida
lágrimas derramarão, pintar-se-ão de vítimas
inverterão toda a situação
vão falar “o cristão foi e é perseguido”
“isso é coisa do inimigo”.
curioso, o inimigo está “em todo o lugar”
menos debaixo do vestido colado da irmã
ou no colarinho do pastor
e eles podem até gritar contra os católicos
contudo, verdade seja dita
alguns protestantes gostariam de ser canonizados.
óbvio, eu não estou a generalizar
há gente mala, escrota, podre, e boa, em todo lugar
no entanto, o cristão protestante eu preciso destacar
arrota sermão e santidade por onde passa
pensa que só ele está salvo, e os demais condenados
pensa que só a fé dele é válida, que as outras não possuem força.
eles jogam pragas enquanto oram contra algo que condenam
se duvidar, eles conjuraram “o inimigo” lá dentro
escondem-no debaixo de suas vestes pseudo “santas”
amamentam-no, alimentam-no, enquanto apontam dedos
o inimigo é violentar pessoas queers por serem queers
o inimigo é marginalizar, demonizar terreiros
o inimigo é único, faces múltiplas, ataques impiedosos
e a praga debaixo das vestes é tão sorrateira
que Lúcifer suplica a Deus para não lhes encaminhar a morte tão cedo
porque mesmo as prisões do sétimo inferno
ainda não estão aptas para o nível de densidade dos sorrateiros.
eles ainda tem a audácia de andar com o nariz empinado
como se tivessem sido absolvidos de todos os seus pecados
como se os seus rabos sujos fossem carregados de santidade
como se em seus corações, em seus atos, não houvesse maldade
e não estão tentando melhorar o desvio de caráter
substituem uma perversão antiga, por uma perversão nova.
óbvio que não estou a generalizar
se a veste não lhe serve
ausência de motivos para tu ficares ofendido.
a praga debaixo das vestes
‘a praga debaixo das vestes’ é uma poesia de Victor dos Anjos.
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