Victor dos Anjos
Ele abriu uma ferida em minha alma. Apesar de responsabilizá-lo, também deixo a culpa cair em cima de mim, afinal, eu baixei a guarda e permiti-o entrar. Óbvio, ele entrou porque parecia estar envolvido, e, mesmo agora, não creio que estivesse fingindo. Não é do feitio dele. O fato é que… não disponho de tempo, no momento, para olhar cuidadosamente a ferida, então, peguei um barco e pulei no alto-mar sem pestanejar. Automaticamente a energia que a ferida despenderia foi anulada, já que no alto-mar o foco é a sobrevivência. E mesmo que a água salgada faça a ferida arder, o corpo e a mente entendem que a prioridade é sobreviver em meio às correntezas. A ferida possui dimensões profundas, contudo, com a atenção desviada para outro fator, de algum modo ela torna-se menor, ainda que não seja.