Victor dos Anjos

você partiu

dizem que foi por vontade própria

contudo

os ventos recordam as nossas conversas

e as memórias contestam

os ditos que por aí rondam.

vi sua alma de joelhos

entristecida demais para se levantar

dei um último abraço

antes de você se encaminhar.

dizem que você partiu por escolha

eu digo que não

alguns dizem a você “descanse em paz”

contudo

nesta vida

a sua paz tiraram

a sua alma fraturaram

você, meu amigo, não pôde descansar em paz.

não acreditei quando vi

estava tão diferente desde a última vez

não acreditei onde estávamos

vi você passar, e acenei.

você partiu

acho que parecia sem opção

os caminhos pareciam fechados

então, você terminou escolhendo abrir mão.

abriu mão de tanto

abriu mão de poder contar

abriu mão da vida que tinha

e da que poderia ter tido

contudo, não o julgo.

porque você era um prisioneiro

tentando fugir das masmorras

você não encontrava a saída

você vislumbrava os seus sonhos

mas, não conseguia tocá-los

então, um dia os carcereiros vieram

e o seu corpo já não tinha mais pulso

“foi uma escolha” disseram

e desconsideraram o seu percurso.