Victor dos Anjos

Reconheci o seu par de olhos azuis e a sua barba loira à distância, como se os tivesse encontrado ontem ao invés de mais de 3 anos atrás. Fui correndo em sua direção, sem pestanejar. Atravessei a multidão. Não olhei para os lados, apenas para ele. Ele, aquele cujas memórias estão guardadas com carinho, aquele cujo coração ficou próximo do meu, aquele que foi extremamente distinto de outros que pertenceram àquele período: não dissimulou a verdade para ter um corpo próximo ao seu, nem forjou sentimentos.

Ao aproximar-me dele, sorri, e abracei-o. De repente, voltei aos 18, ele aos 24. Estávamos trocando mensagens. Estávamos no Centro Histórico de São Luís. Estávamos descendo as escadarias de mãos dadas. Havia uma garoa. Havia um suor em seu pescoço, mas, eu não me importava. Havia um abraço confortável. Havia um par de olhos que com carinho encaravam-me. Havia uma barba roçando o meu rosto, e braços me envolvendo. Alguém passou, e disse: “Boa noite, casal!”; o que foi respondido com um “boa noite!” em uníssono.

Correrias… Mensagens sendo trocadas, fotos compartilhadas… “Preciso saber como você está, se estão cuidando bem do meu magrinho”… Correrias… que levaram a encontros, e desencontros. Contudo, entre tantos desencontros, o fim não foi encontrado. Nos abraçamos, como se 4 anos não tivessem passado, afinal, de fato, nunca perdemos o contato.

Após o ocorrido, retornei ao meu papel de repórter. Entretanto, não consegui parar de pensar, tampouco evitar o acelerar do meu coração… O pensamento que martelava era: a gente deu certo. Não certo da maneira convencional, como fomos ensinados desde pequenos. Deu certo a nossa própria maneira. A nossa própria maneira.

Olhá-lo rememorou o valor do nosso vínculo para mim, e para ele. Antes de eu avistá-lo, em meio a multidão, ele já me olhava; e o olhar era o mesmo daquele homem que tinha 24. E eu fui levado a viver os meus 18 outra vez.